Marco Machado

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    Marco Machado
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    Comentário · há 10 anos
    Li o texto e percebi que existem algumas incoerências que precisam ser corrigidas:

    * A escola de hoje não é um espaço limitado à transmissão de conteúdo programática. Na verdade, essa "transmissão" que tantos defensores da "Escola sem Partido" defendem, nada mais é que um instrumento de alienação;

    * Quando o senhor diz que a PL n. 867/2015 aproxima-se mais de Piaget, e afaste-se dos postulados de Freire, temos ai uma inverdade - Piaget defende que a CONSTRUÇÃO (e não transmissão) do conhecimento se dê a partir da relação desse conhecimento com a REALIDADE de seus alunos. Essa relação está intrinsecamente ligada a um ensino significativo. Ensino esse que Freire também defende;

    * O que podemos ver hoje são várias pessoas sem base educacional opinando o que deve ou não ser ensinado, e pior, COMO deve ser ensinado. As crianças de hoje não são as crianças de 20, 30 anos atrás, em que eram obrigadas a "absorver" os conteúdos estáticos, muitas vezes sem significado prático - aliás, muitos professores ainda utilizam essa prática ultrapassada;

    * O Art. 3º é um absurdo, no mínimo. Se as famílias não ensinam suas crianças a respeitar a alteridade, cabe então à escola fazer esse papel. Se, por exemplo, promovermos o respeito à diversidade de gênero, muitos pais conservadores irão ter voz para reclamar e demonizar essa prática, como se isso fosse algo ruim. Estaríamos ferindo as "convicções" "morais" dos pais;

    * Não há aprendizagem significativa sem divergência. O professor ensina, mas também é ensinado. O aluno aprende mas também ensina ao professor. JUNTOS, como o nosso patrono da educação fez questão de afirma, educador e educando constroem o conhecimento através de práticas dialógicas;

    * Esse PL precisa ser revisto imediatamente, precisa ser embasado em conhecimento teórico e prático eficazes. Ele, da forma como está, destrói décadas de pesquisas na área da educação e da aprendizagem - incluo também as neurociências.

    * Os problemas na mão de obra deficitária no Brasil, entre outros, não são resultado direto de práticas "doutrinadoras". De onde se tirou isso? Existe algum gráfico que mostre quantos professores, quantas escolas "doutrinam"? Se tiver, por favor, mostre-nos;

    * Em vez de discutirmos isso, porque não discutir o atual estado deplorável do nosso sistema educacional: escolas sucateadas; professores mal remunerados; insegurança; desrespeito. Essa situação sim é responsável pelos resultados horríveis que temos em exames de escala nacional e internacional em educação - exames questionáveis;

    * Devemos educar para a autonomia dos educandos. Para tanto, precisamos perpassar pelos conteúdos programáticos, não tenha dúvida, MAS que sejam ensinados de forma significativa, e não alienadora como é característica da "transmissão" .

    Para finalizar, defendo, independente de ideologia, de ser de esquerda ou de direita, ou do centro, que É DEVER NOSSO PROPAGAR O RESPEITO, O AMOR AO PRÓXIMO, A SENSIBILIDADE PARA COM A CONDIÇÃO DO OUTRO. Vejo que PL n. 867/2015 não possibilita isso, quando traz em seus escritos que não podemos "ferir" as convicções morais dos pais.

    Espero ter acrescentado algo aos leitores.
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